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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

UCA - Lições da primeira fase






Todas essas informações são sínteses preciosas dos ganhos e das dificuldades implícitas na metodologia denominada 1 para 1 e apontam problemas e soluções de ordem conceitual e de ordem prática que vão ser de grande proveito para a segunda etapa do programa – já em andamento em mais de 300 escolas do país, agora na fase denominada piloto. Entre as conclusões mais significativas da avaliação, aparecem necessidades prementes como conexão de qualidade na escola (leia-se: banda larga), envolvimento direto dos gestores e do poder público local, mudanças na metodologia pedagógica, formação continuada de professores. Não foi possível, nesse período, estabelecer indicadores para avaliar o desempenho escolar. Mas foi unânime a percepção de que o uso dos laptops fez crescer a motivação, tanto de alunos, quanto de professores; melhorou a participação dos pais na escola; e aumentou a autonomia dos educandos.

Os resultados da avaliação financiada pelo BID foram apresentados a uma interessadíssima plateia de professores de redes públicas de ensino, durante o 11º Fórum Internacional de Software Livre, no final de julho, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (ver reportagem sobre o FISL11 na página 34). Estudantes e educadores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Luciana de Abreu, em Porto Alegre, explicaram, por exemplo, que houve uma mudança radical no horário escolar. “Uma aula de 40 minutos não dava para uma atividade com laptop. Passamos a ter aulas duplas de cada disciplina”, disse Tânia Mara de Castro Oliveira, coordenadora do UCA na escola. Os alunos levaram um vídeo feito por eles próprios e contaram, entre outras histórias, como os laptops foram utilizados para construir um foguete de água (real, não virtual), por meio do qual estudaram Física e Matemática, entre outras disciplinas. Experiências similares foram relatadas por representantes da Escola Municipal Ernâni Bruno (São Paulo) e do Colégio Estadual Dom Alano Marie du Noday (Tocantins).


Para saber mais : http://www.uca.org.br


A força do gestor
Consenso entre aqueles que participaram do pré-piloto, a sensibilização dos gestores escolares é essencial para o sucesso do projeto. Estas são as recomendações de quem participou dessa primeira etapa, para diretores de escola e coordenadores pedagógicos que começam a implantar o programa:
• Ouvir as dificuldades e conquistas dos corpos discente e docente antes de propor alternativas de solução ou buscar parcerias que deem suporte ao projeto
• Ter consciência acerca de uma rigorosa organização de documentação dos dados da própria escola, com arquivos preenchidos e constantemente atualizados, de modo a facilitar o processo de avaliação
• Manter diálogo constante com as secretarias de Educação, bem como formar parcerias com a comunidade escolar
• Promover reorganizações internas, tanto para facilitar a quebra da rigidez do currículo como para superar as dificuldades físicas e técnicas das escolas
• Ter consciência da importância do planejamento da prática pedagógica com foco na interdisciplinaridade
• Ter consciência da necessidade de mobilizar os alunos para que eles participem ativamente dos próprios processos de aprendizagem
• Mapear os tempos de dedicação da equipe docente, bem como a clareza de suas atribuições, responsabilidades e funções
• Frequentar cursos de formação de gestores se estiverem disponíveis nas secretarias de Educação.